terça-feira, julho 01, 2008

A Gata Borralheira

Nossa personagem chega na história com um cavalo branco. E ele a pé – porque é pertinho e não vale a pena gastar gasolina. De vestido rosa muito ornamentado, ela posiciona a mão esperando ajuda para descer do veículo. Ele não percebe, está arrumando a barra da calça jeans e já aproveita pra amarrar o allstar.

Ela, um ser independente, desce e começa um papo. Toma vinho, ri, olha nos olhos, demonstra interesse. Enquanto degusta uma cerveja, ele esconde a timidez em pequenos gestos de desafio, que não parecem funcionar. Ela prefere deixar pra próxima a quebrar o romantismo. Mulheres devem ser conquistadas, e não sair agarrando.

Alguns dias depois, novo encontro, e ela segue fazendo charme, pras bandas da Terra do Nunca. E ele continua com os pés muito firmes no chão do planeta Terra.

Ela sonha com declarações. Num jantar a luz de velas ou no Orkut, tanto faz, têm o mesmo peso. Ele se tranca no banheiro pra bater punheta e a dor de cabeça passar. Jura que este é o único e melhor remédio.

Brigam porque ela dorme demais, porque ela aperta a embalagem de detergente e porque ele não gosta de lingeries. É tudo o que incomoda ele, como se pode notar. Já ela fica triste com barreiras tão pequenas, que acabam não dando pra escalar.

O preço do petróleo sobe, a China ganha espaço no mundo. E só a indiferença arranca lágrimas dela.

A Branca de Neve começa a ficar de olho no príncipe da Rapunzel, trancafiada num quarto distante. O problema é que a essas alturas, ninguém mais acredita em conto de fadas.

Ele sai da história dirigindo um carro. E ela fica presa no livro com o Príncipe Encantado. Felizes para sempre.

Um comentário:

LoU SaLomÉ disse...

Que bom você ter postado!!!

Gosto muito de seus textos, e sempre entro para ver se há novidades...

Escreva mais... sempre me identifico demais com o que vc escreve...

Muito bom!